Sob as ordens dela

por Julia Rodrigues

Sim. Vou considerar a capa que acabamos de criar como a capa oficial e fechar a história inteira de uma vez, mantendo o que você gostou: Rhayan com aparência mais inocente apesar de ser perigoso, Júlia lindíssima, forte, sabe lutar e protege quem ama; ela manda nele; e as falas vêm sempre identificadas. SOB AS ORDENS DELA Até o homem mais perigoso precisa de alguém que lute por ele. PRÓLOGO — FICA ATRÁS DE MIM O primeiro tiro atravessou a janela. O segundo atingiu a parede a poucos centímetros da cabeça de Rhayan. Ele agarrou Júlia pelo braço. Rhayan: Abaixa! Mas Júlia fez exatamente o contrário. Colocou-se na frente dele. Rhayan levou alguns segundos para compreender. Ninguém fazia aquilo. As pessoas se escondiam atrás dele. Esperavam que ele resolvesse os problemas. Mas Júlia estava protegendo ele. Rhayan: Júlia, sai da frente. Júlia: Quieto. Rhayan arregalou os olhos. Rhayan: Você enlouqueceu? Passos surgiram no corredor. Júlia contou mentalmente. Três. Talvez quatro homens. Ela segurou o pulso de Rhayan. Júlia: Fica atrás de mim. Rhayan: Você está mandando eu ficar atrás de você? Júlia virou o rosto lentamente. Júlia: Rhayan. Ele conhecia aquele tom. Júlia: Obedece. O primeiro homem apareceu. Júlia desviou do golpe, segurou seu braço e o lançou contra a parede. Rhayan ficou olhando. Rhayan: Desde quando você sabe fazer isso? Júlia: Agora não! Outro homem avançou. Dessa vez Rhayan reagiu. Os dois lutaram lado a lado. Quando tudo terminou, Rhayan tinha um corte na sobrancelha. Júlia imediatamente segurou seu rosto. Júlia: Deixa eu ver. Rhayan: Estou bem. Júlia: Não perguntei. Ela examinou o corte. Júlia: Está doendo? Rhayan: Não. Júlia pressionou de leve. Rhayan fez uma careta. Júlia: Mentiroso. Ele segurou a cintura dela. Rhayan: Você ficou na frente de um tiro por mim. Júlia: Não exagera. Rhayan: Por quê? Júlia desviou os olhos. Rhayan: Júlia. Silêncio. Rhayan: Por que fez isso? Ela respirou fundo. Júlia: Porque eu protejo quem amo. Rhayan congelou. Ela também. Rhayan: Quem você... Júlia: Esquece. Júlia tentou sair. Rhayan segurou sua mão. Rhayan: Nem pensar. Júlia: Rhayan. Rhayan: Você me ama? Júlia fechou os olhos. Júlia: Infelizmente. Rhayan sorriu. Rhayan: Fala de novo. Júlia: Não. Rhayan: Por favor. Júlia ergueu uma sobrancelha. Júlia: Você acabou de falar por favor? Rhayan soltou sua mão. Rhayan: Esquece. Ela riu. Puxou-o pela camisa. Júlia: Eu amo você, idiota. E o beijou. Mas aquela não era a noite em que a história deles começara. Para entender como o homem que não obedecia a ninguém acabou apaixonado pela única mulher capaz de mandá-lo ficar atrás dela... Era preciso voltar seis meses. --- PARTE I — QUANDO ELES AINDA ERAM ESTRANHOS CAPÍTULO 1 — O HOMEM NO ESTACIONAMENTO Júlia só queria ir embora. Eram quase onze da noite quando saiu da festa de uma amiga. Seu salto quebrou no estacionamento. Júlia: Perfeito. Tirou os dois sapatos. Foi quando ouviu: Homem: Entra no carro. Júlia parou. Dois homens cercavam outro. Alto. Cabelos escuros. Pele clara. Traços tão tranquilos que, olhando rapidamente, ninguém imaginaria que aquele homem pudesse ser perigoso. Um dos homens encostou uma faca nele. Homem: Última oportunidade, Rhayan. Então esse era seu nome. Rhayan: Minha resposta continua sendo não. O homem ergueu a faca. Júlia suspirou. Aquilo não era problema dela. Deveria ir embora. Deu dois passos. Parou. Júlia: Droga. Voltou. Júlia: Ei! Os três olharam. Rhayan franziu a testa. Rhayan: Vai embora. Júlia: Não lembro de ter perguntado sua opinião. Rhayan pareceu genuinamente surpreso. Homem: Isso não é da sua conta. Júlia: Agora é. O homem avançou. Júlia desviou. Segurou seu braço. Girou. A faca caiu. O segundo tentou agarrá-la. Ela bloqueou. Acertou-o. Rhayan aproveitou e derrubou o primeiro. Poucos segundos depois, os dois homens estavam no chão. Júlia pegou os saltos. Rhayan continuava olhando para ela. Júlia: O quê? Rhayan: Quem é você? Júlia: A mulher que acabou de salvar você. Rhayan: Eu não precisava ser salvo. Júlia olhou para o sangue na boca dele. Júlia: Claro. Começou a caminhar. Rhayan foi atrás. Rhayan: Espera. Ela ignorou. Rhayan: Eu falei espera. Júlia parou. Júlia: Primeira coisa que você precisa aprender sobre mim: não me dê ordens. Rhayan ficou em silêncio. Rhayan: Qual seu nome? Júlia: Júlia. Rhayan: Rhayan. Júlia: Eu ouvi. Chegaram ao carro dela. Rhayan segurou a porta. Júlia: Tira a mão. Rhayan: Quero agradecer. Júlia: Então agradece. Ele parecia não estar acostumado. Rhayan: Obrigado. Júlia sorriu. Júlia: Viu? Não foi difícil. Entrou no carro. Antes de sair, abaixou o vidro. Júlia: Rhayan? Rhayan: Sim? Ela apontou para o corte em sua boca. Júlia: Coloca gelo. Rhayan: Isso foi uma ordem? Júlia: Foi. E foi embora. Um segurança aproximou-se. Segurança: Quer que eu descubra quem ela é? Rhayan quase respondeu sim. Então lembrou: "Não me dê ordens." Rhayan: Não. Segurança: Senhor? Rhayan: Deixa ela em paz. Mas Rhayan não conseguiria fazer o mesmo com os próprios pensamentos. --- CAPÍTULO 2 — VOCÊ DE NOVO Três dias depois, Júlia estava tomando café quando uma voz surgiu. Rhayan: Coloquei gelo. Ela levantou os olhos. Era ele. Sem terno. Camisa preta. E realmente parecia diferente. Bonito demais. Cara de santo demais. Júlia odiou perceber. Júlia: Parabéns. Rhayan puxou a cadeira. Júlia: Eu disse que podia sentar? Ele parou. Rhayan: Posso? Júlia tentou esconder o sorriso. Júlia: Pode. Ele sentou. Júlia: Aprende rápido. Rhayan: Não se acostuma. Júlia: Tarde demais. Rhayan pediu o mesmo café dela. Quando provou, fez uma careta. Rhayan: Tem açúcar demais. Júlia: Bebe. Rhayan: Não. Júlia ergueu a sobrancelha. Júlia: Bebe. Ele bebeu. Júlia: Bom garoto. Rhayan quase engasgou. Rhayan: Nunca mais me chama assim. Júlia sorriu. Naquele instante nasceu uma brincadeira que os acompanharia durante anos. --- CAPÍTULO 3 — O PRIMEIRO SEGREDO Uma semana depois, Rhayan contou a verdade. Os homens do estacionamento faziam parte de uma organização comandada por Dante Moretti. A família de Rhayan havia feito negócios com a dele durante décadas. Rhayan queria sair. Dante não aceitava. Júlia: Então você é criminoso? Rhayan: Fui criado nesse mundo. Júlia: Não foi o que perguntei. Ele olhou para ela. Rhayan: Estou tentando sair. Júlia percebeu o peso em sua voz. Júlia: E aqueles homens? Rhayan: Queriam me levar até Dante. Júlia: Por isso você estava apanhando? Rhayan: Eu não estava apanhando. Júlia: Rhayan. Rhayan: Talvez um pouco. Ela riu. Rhayan gostou do som. Mais do que deveria. --- PARTE II — PERTO DEMAIS CAPÍTULO 4 — ELA SABIA LUTAR Rhayan ainda achava que o estacionamento tinha sido sorte. Até provocar Júlia. Rhayan: Dois homens despreparados não significam que você saiba lutar. Júlia levantou lentamente. Júlia: Repete. Rhayan: Você ouviu. Três segundos depois, Rhayan estava contra uma mesa com o braço preso atrás das costas. Rhayan: Certo. Júlia apertou um pouco. Rhayan: Certo! Ela soltou. Rhayan virou. Não estava bravo. Estava impressionado. Rhayan: Onde aprendeu? Júlia contou que praticava artes marciais desde adolescente e continuara treinando durante anos. Rhayan: Por que nunca contou? Júlia: Você nunca perguntou direito. Ele sorriu. Rhayan: Você é cheia de surpresas. Júlia: E você fala demais. --- CAPÍTULO 5 — CIÚMES Gabriel apareceu duas semanas depois. Amigo de infância de Júlia. Rhayan odiou Gabriel imediatamente. Principalmente quando o viu abraçá-la. Rhayan: Quem é ele? Júlia: Gabriel. Rhayan: Eu ouvi o nome. Quero saber quem é. Júlia sorriu. Júlia: Você está com ciúmes? Rhayan: Não. Júlia: Está. Rhayan: Não estou. Júlia: Rhayan. Ele suspirou. Rhayan: Um pouco. Júlia: Que bonitinho. Rhayan: Não me chama de bonitinho. Júlia: Cara de santo. Rhayan: Júlia. Júlia: Ciumento. Rhayan aproximou-se. Rhayan: Você gosta de me provocar. Júlia: Muito. Rhayan: Um dia vai descobrir que isso é perigoso. Júlia ficou perto o suficiente para sentir sua respiração. Júlia: Talvez eu goste de perigo. E saiu. Rhayan permaneceu parado. Completamente perdido por ela. --- CAPÍTULO 6 — O PRIMEIRO BEIJO Aconteceu durante uma discussão. Rhayan: Você precisa ficar na minha casa por alguns dias. Júlia: Não. Rhayan: É mais seguro. Júlia: Continuo dizendo não. Rhayan: Por que você nunca me escuta? Júlia: Eu escuto. Só não obedeço. Rhayan: Exatamente! Júlia chegou perto. Júlia: Isso incomoda? Rhayan: Muito! Júlia: Por quê? E ele perdeu o controle. Rhayan: Porque eu não consigo parar de pensar em você! Silêncio. Júlia: Fala de novo. Rhayan: Não. Ela segurou sua camisa. Júlia: Fala. Rhayan respirou fundo. Rhayan: Eu penso em você quando acordo. Quando trabalho. Antes de dormir. Quando você demora para responder, fico olhando o celular como um idiota. Júlia sorriu. Júlia: Fofo. Rhayan: Não. Júlia: Muito fofo. Ele olhou para os lábios dela. Rhayan: Posso? Júlia ficou surpresa. Rhayan esperou. Júlia: Pode. Ele a beijou. Devagar. Sem pressa. Quando terminou, Júlia sorriu. Júlia: Gostou? Rhayan: Não. Ela ergueu a sobrancelha. Rhayan a puxou novamente. Rhayan: Preciso conferir. --- CAPÍTULO 7 — A PRIMEIRA VEZ QUE ELA O PROTEGEU O ataque aconteceu na saída de um restaurante. Júlia viu o reflexo de uma arma. Júlia: RHAYAN! Empurrou-o. O disparo quebrou o vidro. Júlia ficou na frente dele. Rhayan: SAI DA FRENTE! Júlia: Não! Rhayan: Júlia! Ela puxou Rhayan para trás de um carro. Júlia: Fica atrás de mim. Ele quase não acreditou. Rhayan: Você está mandando eu— Júlia: Estou! Dois homens apareceram. Dessa vez, lutaram juntos. Quando terminou, Rhayan estava furioso. Rhayan: Nunca mais faz isso. Júlia: Faria de novo. Rhayan: Você poderia ter morrido! Júlia segurou seu rosto. Júlia: E você também. Rhayan ficou quieto. Júlia: Você protege todo mundo. Ela limpou o sangue perto da sobrancelha dele. Júlia: Quem protege você? Rhayan não conseguiu responder. Nunca ninguém perguntara aquilo. Júlia: Agora tem alguém. Foi quando Rhayan percebeu. Ele estava apaixonado. --- PARTE III — SOB AS ORDENS DELA CAPÍTULO 8 — NAMORADOS O pedido aconteceu da maneira mais estranha possível. Rhayan: Quero que você seja minha. Júlia estreitou os olhos. Júlia: Sua? Rhayan percebeu. Rhayan: Foi uma péssima escolha de palavras. Júlia: Horrível. Rhayan: Posso tentar novamente? Júlia: Pode. Rhayan respirou fundo. Rhayan: Quer namorar comigo? Júlia fingiu pensar. Rhayan: Júlia. Júlia: Estou analisando. Rhayan: Você é impossível. Júlia: E? Rhayan: E eu estou completamente apaixonado por você. Ela parou. Júlia: Completamente? Rhayan: Infelizmente. Júlia sorriu. Júlia: Então eu aceito. Rhayan a beijou. Júlia: Mas tenho regras. Ele fechou os olhos. Rhayan: Claro que tem. --- CAPÍTULO 9 — AS REGRAS Regra número um: Rhayan não colocaria seguranças seguindo Júlia sem avisar. Regra número dois: não mentiria para protegê-la. Regra número três: não tomaria decisões por ela. Rhayan: Minha vez. Júlia: Você não tem regras. Rhayan: Isso é injusto. Júlia: Quer terminar? Rhayan: Não. Júlia: Então pronto. Ele riu. Rhayan: Ditadora. Júlia ergueu a sobrancelha. Rhayan: Mulher maravilhosa e democrática. Júlia: Melhor. --- CAPÍTULO 10 — A MANSÃO Quando Júlia passou a dormir frequentemente na casa de Rhayan, percebeu como aquele lugar era vazio. Começou a mudar tudo. Fotografias. Flores. Cobertores. Livros. E sapatos espalhados. Rhayan odiava os sapatos. Rhayan: Júlia! Júlia: O quê? Rhayan: Seu sapato está na escada! Júlia: Então não pisa. Rhayan: Guarda. Júlia: Você está mandando? Rhayan ficou em silêncio. Pegou o sapato. Guardou. Júlia: Bom garoto. Rhayan: Eu criei um monstro. --- PARTE IV — O PASSADO VOLTA CAPÍTULO 11 — KAEL Dante não era o único problema. Rhayan tinha um irmão. Kael. Ele acreditava que Kael estava morto havia dez anos. Até receber uma fotografia. Kael estava vivo. Júlia: Por que alguém faria você acreditar que seu irmão morreu? Rhayan: Não sei. Júlia: Vamos descobrir. Rhayan: Nós? Júlia: Sim, nós. Rhayan tentou argumentar. Júlia não permitiu. --- CAPÍTULO 12 — O IRMÃO Kael apareceu numa fábrica abandonada. Parecia Rhayan. Mas havia algo mais frio nele. Kael: Então essa é Júlia. Rhayan imediatamente ficou diante dela. Júlia empurrou-o para o lado. Júlia: Eu sei ficar em pé sozinha. Kael riu. Kael: É verdade que ele obedece você? Rhayan: Kael. Júlia: É. Rhayan olhou indignado. Júlia: O quê? É verdade. Kael riu novamente. Kael: Eu gostei dela. Rhayan: Não gosta. Júlia: Ciumento. Rhayan: Não agora. Mas a conversa revelou algo terrível. Kael não havia abandonado Rhayan. Ele fora mantido longe. Manipulado. E o responsável era o próprio pai deles. --- PARTE V — A GUERRA CAPÍTULO 13 — LEVARAM JÚLIA Júlia desapareceu numa sexta-feira. Rhayan recebeu a ligação às 18h21. Segurança: Perdemos contato. Rhayan: Encontre ela. Então seu telefone tocou. Dante. Dante: Agora você vai me ouvir. Ao fundo: Júlia: RHAYAN! Ele fechou os olhos. Rhayan: Júlia! Júlia: NÃO FAZ O QUE ELE— A ligação caiu. Rhayan perdeu completamente o controle. Kael o segurou. Kael: Pensa! Rhayan: Eles pegaram ela! Kael: E se você entrar lá assim, vão matar vocês dois. Rhayan queria atacar. Mas seu celular vibrou. Uma mensagem de Júlia. "Não venha sozinho. Confia em mim." Rhayan olhou. Mesmo sequestrada, ela estava dando ordens. Kael quase sorriu. Kael: Vai obedecer? Rhayan pegou o casaco. Rhayan: Sempre. --- CAPÍTULO 14 — JÚLIA NÃO PRECISAVA SER SALVA Dante acreditou que havia capturado uma vítima. Descobriu tarde demais. Júlia soltou as próprias mãos. Derrubou o primeiro guarda. Pegou a chave. O segundo nem teve tempo de reagir. Quando Rhayan e Kael chegaram, ouviram uma confusão. Uma porta abriu. Um homem caiu no corredor. Atrás dele apareceu Júlia. Cabelos bagunçados. Roupa rasgada. Furiosa. Júlia: Demoraram. Rhayan ficou olhando. Kael: Ela sempre é assim? Rhayan: Infelizmente. Júlia correu até Rhayan. Ele a abraçou. Rhayan: Você está bem? Júlia: Estou. Rhayan: Tem certeza? Júlia: Tenho. Rhayan a apertou. Rhayan: Eu achei que tinha perdido você. Júlia segurou seu rosto. Júlia: Vai precisar de muito mais para se livrar de mim. Ele riu chorando. --- CAPÍTULO 15 — FICA ATRÁS DE MIM Foi então que a cena do prólogo aconteceu. Dante tentou um último ataque. Tiros. Vidros quebrados. Homens entrando. E Júlia ficou diante de Rhayan. Júlia: Fica atrás de mim. Rhayan: Você enlouqueceu? Júlia: Obedece. E Rhayan obedeceu. Não porque fosse mais fraco. Não porque precisasse dela para lutar. Mas porque confiava. Lutaram juntos. Kael apareceu para ajudá-los. Dante foi preso. A rede que havia mantido os irmãos presos ao passado finalmente caiu. Quando tudo acabou, Júlia verificou o corte de Rhayan. E pronunciou as palavras que ele jamais esqueceria: Júlia: Porque eu protejo quem amo. Rhayan: Você me ama? Júlia: Infelizmente. Rhayan: Eu também amo você. Júlia: Eu sei. Rhayan: Convencida. Júlia: Alguma reclamação? Rhayan sorriu. Rhayan: Nenhuma. --- PARTE VI — DEPOIS DA ESCURIDÃO CAPÍTULO 16 — O PEDIDO Dois anos depois, Rhayan preparou o pedido de casamento perfeito. Restaurante. Flores. Música. Tudo planejado. Júlia estragou sem querer. Encontrou a aliança no bolso dele antes. Júlia: Rhayan. Ele congelou. Júlia: O que é isso? Silêncio. Rhayan: Droga. Júlia começou a rir. Júlia: Você ia me pedir em casamento? Rhayan: Amanhã. Júlia: Então pede. Rhayan: Agora? Júlia: Agora. Rhayan ajoelhou. Rhayan: Você não consegue deixar eu mandar nem no meu próprio pedido. Júlia: Foco. Ele riu. Depois ficou sério. Rhayan: Júlia, antes de você eu achava que amar alguém significava ter alguma coisa a perder. Os olhos dela encheram-se de lágrimas. Rhayan: Você me ensinou que significa ter alguma coisa pela qual vale a pena viver. Ele abriu a caixa. Rhayan: Casa comigo? Júlia chorou. Júlia: Caso. Rhayan levantou e a beijou. Júlia: Agora coloca a aliança. Rhayan: Sim, senhora. --- CAPÍTULO 17 — CASADOS O casamento foi pequeno. Kael foi padrinho. Gabriel também. Durante os votos, Rhayan olhou para Júlia. Rhayan: Prometo amar você. Ela sorriu. Rhayan: Respeitar você. O sorriso aumentou. Rhayan: Proteger você. Júlia ergueu uma sobrancelha. Rhayan corrigiu: Rhayan: E deixar você me proteger também. Júlia: Melhor. Todos riram. Rhayan: E prometo continuar obedecendo... Júlia sorriu. Rhayan: ...ocasionalmente. Júlia: Rhayan. Rhayan: Frequentemente. Ela riu. --- PARTE VII — SOFIA CAPÍTULO 18 — DUAS LINHAS Um ano depois, Júlia apareceu no escritório. Júlia: Senta. Rhayan empalideceu. Rhayan: O que eu fiz? Júlia: Nada. Rhayan: Tem certeza? Júlia: Senta. Ele sentou. Júlia colocou uma caixa diante dele. Dentro havia um teste positivo. Rhayan ficou imóvel. Rhayan: Isso... Júlia: Sim. Rhayan: Você está grávida? Júlia: Sim. Rhayan: Eu vou ser pai? Júlia: Vai. Ele levantou. Sentou novamente. Júlia: Você está bem? Rhayan: Não sei. Júlia começou a rir. Rhayan ajoelhou diante dela. Colocou a mão em sua barriga. Rhayan: Tem um bebê aí? Júlia: Ainda é bem pequeno. Rhayan começou a chorar. Júlia: Você está chorando. Rhayan: Não conta para ninguém. Júlia: Vou contar para todo mundo. --- CAPÍTULO 19 — SOFIA Era uma menina. Sofia. No nascimento, Rhayan ficou apavorado. Rhayan: Ela é muito pequena. Júlia: Pega sua filha. Rhayan: Posso derrubar. Júlia: Rhayan. Rhayan: Júlia, olha o tamanho dela! Júlia colocou Sofia em seus braços. Rhayan congelou. Sofia abriu os olhos. Ele chorou novamente. Rhayan: Oi. Júlia observava. Rhayan: Eu sou seu pai. Sofia segurou seu dedo. Rhayan perdeu completamente qualquer chance de resistir. Rhayan: Pode pedir qualquer coisa. Júlia: Não ensina isso. Rhayan: Qualquer coisa menos o que sua mãe não deixar. Júlia sorriu. Júlia: Aprende rápido. --- PARTE VIII — MIGUEL CAPÍTULO 20 — MAIS UM Quatro anos depois. Outra caixa. Outro teste. Rhayan: Não acredito. Júlia: Acredita. Sofia apareceu. Sofia: O que é? Rhayan pegou a filha. Rhayan: Você vai ser irmã mais velha. Sofia arregalou os olhos. Sofia: Posso mandar nele? Rhayan olhou para Júlia. Rhayan: Está vendo? Júlia: O quê? Rhayan: Isso é genética. Meses depois nasceu Miguel. Rhayan tinha certeza de que finalmente teria alguém do seu lado. Estava errado. --- CAPÍTULO 21 — TRÊS CONTRA UM Miguel tinha quatro anos. Sofia oito. Rhayan estava tentando pegar um chocolate. Miguel: Não pode. Rhayan: Por quê? Miguel: Mamãe falou. Rhayan: Mamãe não está aqui. Sofia apareceu. Sofia: Pai. Rhayan fechou os olhos. Rhayan: Você também? Sofia: Mamãe falou que é para depois do jantar. Rhayan: Eu sou adulto. Miguel: Mas mamãe manda. Júlia apareceu na porta. Júlia: O que está acontecendo? Rhayan largou o chocolate. Rhayan: Nada. Sofia começou a rir. Sofia: Papai tem medo da mamãe! Rhayan: Eu não tenho medo. Júlia ergueu uma sobrancelha. Rhayan: Tenho respeito. Júlia: Melhor. Miguel olhou para Sofia. Miguel: Papai é mandado. Rhayan apontou. Rhayan: Você era minha última esperança. Miguel abraçou Júlia. Miguel: Mamãe é chefe. Rhayan suspirou. Rhayan: Três contra um. --- EPÍLOGO — QUEM PROTEGE VOCÊ? Quinze anos haviam passado desde aquela noite no estacionamento. Rhayan estava na varanda. Júlia apareceu atrás dele. Ainda linda. Ainda forte. Ainda a única pessoa capaz de fazê-lo obedecer apenas com um olhar. Ela o abraçou. Júlia: Pensando? Rhayan: Lembrando. Júlia: De quê? Rhayan: De uma garota descalça segurando dois saltos quebrados e entrando numa briga que não era dela. Júlia riu. Júlia: Você estava apanhando. Rhayan: Eu não estava. Júlia: Estava. Rhayan: Um pouco. Ela encostou a cabeça nele. Rhayan: Sabe o que eu pensei naquela noite? Júlia: Que eu era maravilhosa? Rhayan: Convencida. Júlia: Continua. Rhayan virou-se para ela. Rhayan: Pensei que nunca mais encontraria você. Júlia sorriu. Rhayan: E quando encontrei, achei que precisava proteger você de tudo. Júlia: Ainda acha. Rhayan: Às vezes. Ele segurou sua mão. Rhayan: Até você me perguntar uma coisa que ninguém tinha perguntado. Júlia: O quê? Rhayan sorriu. Rhayan: “Quem protege você?” Júlia lembrou. Rhayan: Durante toda minha vida, achei que a resposta era ninguém. Ele beijou sua mão. Rhayan: Até você. Júlia aproximou-se. Júlia: E faria tudo novamente. Rhayan: Até ficar na frente de uma arma? Júlia: Principalmente isso. Rhayan franziu a testa. Rhayan: Não. Júlia: Não? Rhayan: Proibido. Júlia cruzou os braços. Júlia: Você está me dando uma ordem? Rhayan percebeu. Sorriu. Rhayan: Poderia, por favor, não ficar na frente de nenhuma arma? Júlia: Vou pensar. Rhayan: Júlia. Ela riu. Do interior da casa surgiu uma voz. Sofia: MÃÃÃE! Logo depois: Miguel: PAAAII! Rhayan fechou os olhos. Rhayan: Cinco minutos. Júlia: Vai. Rhayan: Eles chamaram nós dois. Júlia: Você primeiro. Rhayan: Claro. Ele caminhou até a porta. Júlia observou. Júlia: Rhayan? Ele virou. Rhayan: O quê? Júlia: Eu amo você. O sorriso dele surgiu imediatamente. Aquele mesmo sorriso que ela descobrira tantos anos antes. O sorriso que fazia aquele homem perigoso voltar a parecer um garoto com cara de santo. Rhayan: Também amo você. Júlia: Muito? Rhayan: Mais que tudo. Júlia sorriu. Júlia: Bom garoto. Rhayan balançou a cabeça. Quinze anos. E ela ainda fazia aquilo. Rhayan: Você nunca vai parar, não é? Júlia: Nunca. Ele voltou até ela. Deu-lhe um último beijo. E então entraram juntos. A garota que nunca precisou ser salva. O homem que acreditava precisar salvar todos. A mulher que lutou por ele quando ninguém mais lutava. E o homem que descobriu que obedecer a alguém em quem confiava não o tornava mais fraco. Porque Júlia nunca esteve acima de Rhayan. Nem atrás dele. Estava exatamente onde sempre quis estar: ao lado dele.

Leia no Fireplume

Crie sua conta gratuita para ler esta história, acompanhar novos capítulos e apoiar quem escreve.

Já tem conta? Entrar

Conheça o Fireplume